sexta-feira, 27 de abril de 2018

Lista de Exercícios - Cartografia (Fuso Horário, Escalas e Orientação Espacial)

1. Colombo, capital do Sri Lanka, situa-se cinco fusos a leste do fuso cujo eixo é o Meridiano de Greenwich. Brasília situa-se a três fusos a oeste do mesmo meridiano. Se um voo, com duração de 12h, sair do Sri Lanka às 07h:25min a.m. com destino a Brasília, qual será o horário de chegada em Brasília?

a) chegará às 11h:25min em Brasília.
b) chegará às 23h:25min em Brasília
c) chegará às 19h:25min em Brasília.
d) chegará às 07h:25min em Brasília.
e) chegará às 12h:25 min em Brasília.
Res. A 

2. O sistema de fusos horários foi proposto na Conferência Internacional do Meridiano, realizada em Washington, em 1884. Cada fuso corresponde a uma faixa de 15º entre dois meridianos. O meridiano de Greenwich foi escolhido para ser a linha mediana do fuso zero. Passando-se um meridiano pela linha mediana de cada fuso, enumeram-se 12 fusos para leste e 12 fusos para oeste do fuso zero, obtendo-se, assim, os 24 fusos e o sistema de zonas de horas. Para cada fuso a leste do fuso zero, soma-se 1 hora, e, para cada fuso a oeste do fuso zero, subtrai-se 1 hora. A partir da Lei n° 11.662/2008, o Brasil, que fica a oeste de Greenwich e tinha quatro fusos, passa a ter somente 3 fusos horários. Em relação ao fuso zero, o Brasil abrange os fusos 2, 3 e 4. Por exemplo, Fernando de Noronha está no fuso 2, o estado do Amapá está no fuso 3 e o Acre, no fuso 4.

A cidade de Pequim, que sediou os XXIX Jogos Olímpicos de Verão, fica a leste de Greenwich, no fuso 8. Considerando-se que a cerimônia de abertura dos jogos tenha ocorrido às 20 h 8 min, no horário de Pequim, do dia 8 de agosto de 2008, a que horas os brasileiros que moram no estado do Amapá devem ter ligado seus televisores para assistir ao início da cerimônia de abertura?
a) 08h09 min, do dia 9 de agosto
b) 12h08 min, do dia 8 de agosto.
c) 15h08 min, do dia 8 de agosto.
d) 01 h08 min, do dia 9 de agosto.
e) 09h08 min, do dia 8 de agosto.
RES;E


3. Considere os exemplos das figuras e analise as frases abaixo, relativas às imagens de satélite e às fotografias aéreas.


I. Um dos usos das imagens de satélites refere-se à confecção de mapas temáticos de escala pequena, enquanto as fotografias aéreas servem de base à confecção de cartas topográficas de escala grande.
II. Embora os produtos de sensoriamento remoto estejam, hoje, disseminados pelo mundo, nem todos eles são disponibilizados para uso civil.
III. Pelo fato de poderem ser obtidas com intervalos regulares de tempo, dentre outras características, as imagens de satélite constituem-se em ferramentas de monitoramento ambiental e instrumental geopolítico valioso. Está correto o que se afirma em
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) I e III, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.
Res. E

4. Responder à questão considerando o desenho que representa parte do traçado urbano de uma cidade no dia 21 de dezembro.

Analisando o desenho e sabendo que o paralelo 23°27 S passa pelo centro da praça, é correto afirmar:
a) Pela manhã, ao nascer do sol, a sombra da biblioteca será projetada no sentido da rua Z.
b) Pela manhã, ao nascer do sol, a sombra da igreja será projetada no sentido da rua X.
c) Ao meio dia solar, a sombra, tanto da igreja quanto da biblioteca pública, provavelmente será projetada no sentido norte.
d) Ao meio dia solar, provavelmente não haverá a formação de sombra da igreja.
e) Ao pôr-do-sol, a sombra da igreja será projetada no sentido da rua Z.
RES D

5. As estações do ano estão associadas ao movimento de translação da Terra em torno do sol, juntamente com a inclinação do eixo de rotação. No Brasil, as estações como as conhecemos (outono, inverno, primavera e verão) só são claramente notadas no centro-sul do país. Nas outras regiões, a percepção prática é outra. Com relação ao texto acima e com os conhecimentos de Geografia, considere as seguintes afirmativas:

1. No nordeste brasileiro, em função da sua localização próxima ao círculo do Equador, tem-se apenas duas estações durante o ano: a chuvosa, de janeiro a julho, e a seca, de agosto a dezembro.
2. A população rural da Amazônia vive em função das duas estações do ano: o verão, de maio a setembro, que é a estação das chuvas, e o inverno, de outubro a abril, que é a estação sem chuvas e de baixo nível das águas.
3. Quando a Terra se encontra em sua órbita próxima do periélio, a sua velocidade é maior do que quando ela se encontra próxima do afélio, e isso se reflete na desigualdade da duração entre as estações do ano. 
4. Os fenômenos do sol da meia-noite e das auroras polares nos países da península da Escandinávia ocorrem durante o solstício de 21 de dezembro. 
5. Da mesma forma que o movimento de rotação da Terra serve de base para definir a duração do dia e o de translação para definir o ano, a translação da Lua em torno da Terra serve de base para definir o mês.
Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas 1, 3 e 5 são verdadeiras.
b) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.
e) Somente as afirmativas 1, 4 e 5 são verdadeiras. 
RES A

6. Observe o mapa abaixo e observe a legenda

A Terra gira sobre ela mesma de Oeste para Leste. Assim, teoricamente, todos os pontos, no mesmo fuso horário, têm a mesma hora. Com base nessas informações e no mapa, podemos afirmar que
a) há três horários diferentes, aumentando para leste; sendo o primeiro fuso horário até 5°E, o segundo de 5° a 30°E e o terceiro depois de 30°E.
b) as horas serão exatamente as mesmas em todas essas cidades, porque elas se situam na mesma linha imaginária de 50°N.
c) as horas se apresentam com acréscimo, de Berlim para Astana, devido ao sentido de rotação da Terra e à incidência dos raios solares.
d) as horas se apresentam em decréscimo, de Londres para Kiev, devido ao sentido de rotação da Terra e à incidência dos raios solares.
e) há dois horários diferentes, diminuindo para leste; sendo o primeiro até Kiev e o segundo até Novosibirsk.
RES. C

7. Leia o enunciado e observe o mapa abaixo:


Bolívar Cambará viajará, na próxima semana, de ônibus de Porto Alegre a São Paulo pela BR 101. Ao comprar sua passagem, conseguiu com a vendedora um assento junto à janela do ônibus para receber diretamente os raios solares no turno da manhã.
Com base nesses dados, considere as seguintes afirmações.

I. A viagem de Bolívar Cambará representará um deslocamento no país no sentido sul-oeste para norte-oeste.
II. Bolívar Cambará ocupará um assento no lado direito do ônibus.
III. O assento de Bolívar Cambará ficará junto a uma janela voltada para o leste.
Qual(is) está(ão) correta(s)?
a) Apenas II.
b) Apenas I e II.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
RES D

8. Sobre os conhecimentos científicos e das populações tradicionais ligados à astronomia, ao clima, às fases da lua, às estações do ano, e à agricultura, é correto afirmar:
a) Atualmente, esses conhecimentos têm pouca relevância para a agricultura, porque o desenvolvimento tecnológico tornou as atividades agrícolas independentes deles.
b) Os saberes científicos passam a ter baixa correlação entre si quando são aprofundados, o que diminuiu a capacidade de domínio humano sobre a natureza.
c) Os saberes tradicionais possuem alta relevância, por tornar a agricultura uma atividade imune a eventos climáticos catastróficos.
d) As populações tradicionais, cujo modo de vida está ligado à agricultura, possuem amplo e refinado conhecimento desses elementos.
e) A correlação entre esses elementos e a agricultura desaparece na medida em que os conhecimentos científicos e tecnológicos se ampliam, isentando a agricultura de suas influências.
Res. D

9. Um grupo de pescadores pretende passar um final de semana do mês de setembro, embarcado, pescando em um rio. Uma das exigências do grupo é que, no final de semana a ser escolhido, as noites estejam iluminadas pela lua o maior tempo possível.
A figura representa as fases da lua no período proposto.

Considerando-se as características de cada uma das fases da lua e o comportamento desta no período delimitado, pode-se afirmar que, dentre os fins de semana, o que melhor atenderia às exigências dos pescadores corresponde aos dias:
a) 08 e 09 de setembro.
b) 15 e 16 de setembro.
c) 22 e 23 de setembro.
d) 29 e 30 de setembro.
e) 06 e 07 de outubro.
Resolução: letra D
A exigência apresentada é escolher um final de semana em que as noites estejam iluminadas pela lua o maior tempo possível. Considerando a ilustração, que mostra as fases da lua, as datas mais próximas da lua cheia (2 de outubro) serão os dias 29 e 30 de setembro.


10. Observando-se a projeção cartográfica apresentada, conclui-se que:

a) o planeta Terra é uma esfera dividida somente por paralelos.
b) na latitude de 90° N, os meridianos se encontram no polo norte.
c) as representações latitudinais e longitudinais se encontram sempre a 0°.
d) há um maior distanciamento entre os paralelos nas faixas mais setentrionais da Terra.
e) a dimensão territorial dos EUA e do Canadá se deforma devido aos meridianos e paralelos.
RES.B

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Exercícios escala geográfica
 
Leia os textos abaixo e observe a imagem:

 
I
David Harvey adquiriu fama com a publicação, em 1989, de Condição pós-moderna. Nesse livro, Harvey associa a mudança nas práticas culturais, subjacentes ao termo pós-modernismo, com alterações político-econômicas que teriam se iniciado em 1972. Mais especificamente, relaciona as novas experiências frente ao tempo e ao espaço (o engendramento de uma nova sensibilidade ou do sentimento qualificado como pós-moderno) com a emergência de modalidades diferentes, mais flexíveis de acumulação do capital, isto é, ao início de um novo ciclo de “compressão do tempo-espaço na organização do capitalismo”.
II
A ordem global funda as escalas superiores ou externas à escala do cotidiano. Seus parâmetros são a razão técnica e operacional, o calculo de função, a linguagem matemática. A ordem local funda a escala do cotidiano, e seus parâmetros são a co-presença, a vizinhança, a intimidade, a emoção, a cooperação e a socialização com base na contiguidade. (Milton Santos. A natureza do espaço. 2000)

a) Explique o que é escala grande e escala pequena.
b) O texto II analisa duas ordens de organização do espaço. Associe e explique essas duas ordens.
c) No texto I Harvey explica a nova configuração do espaço geográfico utilizando o conceito “compressão espaço-tempo”. Explique este conceito associando-o com a cartografia ao lado.

RESPOSTAS
a) Escala Grande representa uma pequena região do espaço. O denominador, no caso de uma escala cartográfica, será um número pequeno (1:500.000). escala grande mostra muitos detalhes do espaço (praças, casas, escolas, hospitais, ruas e avenidas). É a escala do lugar.
Escala pequena representa uma grande região do espaço. O denominador, no caso de uma escala cartográfica, será um número grande (1:5.000.000). Mostra poucos detalhes do espaço (mundo, continente, país). É a escala do mundo.
b) Ordem global e ordem local. Milton Santos fala das duas ordens de organização do espaço geográfico. Uma é a ordem global que é a escala do sistema mundo, seria a escala pequena. A outra ordem de organização do espaço é a ordem local que é a escala do que é a ordem do lugar, seria a escala grande.

c) NESSE EXERCICIO OS ALUNOS PRECISAM ENTENDER QUE A LEITURA DA IMAGEM DE HARVEY DEVE SER FEITA PARA RETIRAR AS INFORMAÇÕES PRECISAS:
Na imagem Harvey mostra que o mundo ficou menor entre os séculos XVI e XX. No inicio do século XVI até o século XIX (1840) a velocidade média dos sistemas de transporte era de 16km/h. Já no século XX (1960) a velocidade dos jatos saltou para 1100km/h. É importante destacar que as distâncias são as mesmas. Entre a África e o Brasil no século XVI a distância era aproximadamente de 7.550 km (Brasil-Angola). No século XX essa distância é a mesma, isto é, são os mesmos 7.550 km. O espaço não tem suas distâncias encurtadas, porém a tecnologia aplicada aos meios de transportes faz com que o deslocamento de pessoas, mercadoria e informação torne-se mais veloz. A rapidez é a matéria-prima da globalização. Os fluxos materiais globais se intensificam com o que Harvey chamou de fenômeno “compressão espaço-tempo”, com a emergência de modalidades flexíveis de acumulação do capital.

 

domingo, 1 de maio de 2016

Inteligência Geográfica – Por que os líderes deveriam aprender Geografia?


Eduardo de Rezende Francisco é professor de Métodos Quantitativos, Geoinformação e Big Data da FGV-EAESP.
fonte: http://politica.estadao.com.br/blogs/gestao-politica-e-sociedade/inteligencia-geografica-por-que-os-lideres-deveriam-aprender-geografia/


Desafio o caro leitor a encontrar alguma informação do cotidiano que não tenha um componente geográfico. Tudo ou quase tudo que percebemos, armazenamos, discutimos, compartilhamos, aprendemos, tem alguma conexão geográfica com o mundo que nos cerca. Aproximadamente 70 a 80% das informações relevantes nos processos decisórios, pessoais ou profissionais, têm caracterização espacial.
Dada essa tremenda relevância, seria de se esperar altíssima utilização de sistemas de informação geográfica nas organizações, apoiando a tomada de decisões importantes para as diferentes organizações. No entanto, seu uso ainda é incipiente. Alguma dificuldade tecnológica ou de infraestrutura? Muito pelo contrário: o desafio é cultural.
O território é atualmente a plataforma na qual se inserem todas as dinâmicas que devem ser observadas ou geridas diretamente pelo gestor público ou privado. É por meio de uma visão holística do território, ou do espaço geográfico, que todas as idiossincrasias e relacionamentos entre os principais indicadores de gestão se estabelecem. É através da perspectiva territorial que o binômio “desempenho – risco” consegue melhor ser percebido por intermédio da proposição e acompanhamento de práticas empresariais e políticas públicas.
Compreender a distribuição de dados oriundos de fenômenos ocorridos no espaço geográfico constitui hoje um grande desafio para a elucidação de questões centrais em diversas áreas do conhecimento, seja em saúde, educação, meio-ambiente, políticas públicas, eleições, prevenção de desastres naturais ou mesmo em estudos de dinâmica urbana, social, serviços financeiros, seguros, infraestrutura, administração e marketing.
Tais estudos vêm se tornando cada vez mais comuns, devido à disponibilidade de Sistemas de Informação Geográfica (GIS), e também à necessidade de explicação da distribuição geográfica de problemas e variáveis de interação socioeconômica que modelos tradicionais e clássicos geralmente não endereçam.
As ferramentas quantitativas que manipulam dados espaciais permitem que se incorpore a natureza geográfica do fenômeno nas técnicas de exploração de dados e nos modelos estatísticos de inferência e associação entre variáveis. Sua adaptação e endereçamento aos principais problemas das organizações em geral, envolvendo dados internos e dados secundários de características sócio-econômico-demográficas, é muito alta. Mapa é uma linguagem universal, e vale mais do que mil palavras.
Recentemente, cunhou-se o termo “Inteligência Geográfica” como o uso da perspectiva geográfica nas tomadas de decisão pelas empresas, públicas e privadas.
Contudo, para a maioria das pessoas, geoinformação se resume a procurarmos o endereço de casa no Google Maps ou a utilizar o Waze no carro para se chegar rapidamente ao destino.
Essa dificuldade de percepção certamente tem origem histórica – nossa intuição espacial não foi devidamente alimentada durante nossa formação educacional.
Alexander Von Humboldt (1769-1859), que dizia que a Geografia é a ciência integrativa, e muitos outros pensadores que o sucederam, não foram capazes de impedir que a Universidade de Harvard, na década de 1940, erradicasse seu Departamento de Geografia. Tal movimento foi seguido por outras relevantes instituições de ensino norte-americanas e do resto do mundo. Por conseguinte, mais de setenta anos depois vivemos a consequência desse ato. A imensa maioria de cursos de administração, economia, engenharia e outros, inclusive do Brasil, passou a ter poucas disciplinas que permitisse discutir aspectos analíticos derivados de perspectivas geográficas. Inovações históricas como Imagens de Satélite, GPS, MapQuest, servidores digitais de mapas, ferramentas digitais de análise geográfica, Google Maps, ArcGIS não foram percebidas, experimentadas ou discutidas no contexto educacional de nossos jovens.
Com isso, o profissional que hoje está na liderança das grandes organizações não adquiriu repertório de “pensamento geográfico” suficiente em sua formação. As decisões estratégicas das organizações passam inevitavelmente pelo pensamento de suas lideranças, e são tomadas segundo seus modelos mentais de decisão. Se a perspectiva geográfica é ignorada ou pouco considerada, então ela praticamente inexiste naquela organização – não será suplantada por equipes técnicas excelentes, que atuam em áreas específicas, e que não têm uma visão holística e sistêmica que caracteriza a alta direção.
Movimentos recentes, no entanto, sinalizam boas perspectivas de mudança. Salas de decisão recentemente implantadas pelo poder público em esfera municipal e estadual, em muitas localidades do Brasil, utilizam um grande mapa do território de atuação como plataforma de visualização e análise e estão permitindo que seus times de operação (e decisão) aprendam essa nova linguagem. Empresas fornecedoras de dashboards e painéis de indicadores de gestão já apresentam mapas e visualizadores geográficos.
Devemos, portanto, incentivar o enfrentamento desse desafio cultural, em prol de uma visão de gestão territorial que beneficie a todos. O Big Data, contexto recente de “poder da informação” na sociedade atual, tem tremendo potencial de investigação sob a perspectiva geográfica. Mas isso é papo para uma próxima conversa. Que venham os líderes geográficos!

terça-feira, 19 de abril de 2016

1. Enem 2012
Portadora de memória, a paisagem ajuda a construir os sentimentos de pertencimento; ela cria uma atmosfera que convém aos momentos fortes da vida, às festas, às comemorações.
CLAVAL, P. Terra dos homens: a geografia. São Paulo: Contexto, 2010 (adaptado).
No texto, é apresentada uma forma de integração da paisagem geográfica com a vida social. Nesse sentido, a paisagem, além de existir como forma concreta, apresenta uma dimensão
a) política de apropriação efetiva do espaço.
b) econômica de uso de recursos do espaço.
c) privada de limitação sobre a utilização do espaço.
d) natural de composição por elementos físicos do espaço.
e) simbólica de relação subjetiva do indivíduo com o espaço.

2. Enem 2014
Quando é meio-dia nos Estados Unidos, o Sol, todo mundo sabe, está se deitando na França. Bastaria ir à França num minuto para assistir ao pôr do sol.









SAINT-EXUPÉRY, A. O Pequeno Príncipe. Rio de Janeiro: Agir, 1996.
A diferença espacial citada é causada por qual característica física da Terra?
a) Achatamento de suas regiões polares.
b) Movimento em torno de seu próprio eixo.
c) Arredondamento de sua forma geométrica.
d) Variação periódica de sua distância do Sol.

e) Inclinação em relação ao seu plano de órbita.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Questões formato ENEM
Questões de 01 até 06 - Urbanização, Urbanização brasileira, Problemas ambientais urbanos.
Questões de 07 até 10 - Geologia e formação do relevo.

1. O fenômeno de ilha de calor é o exemplo mais marcante da modificação das condições iniciais do clima pelo processo de urbanização, caracterizado pela modificação do solo e pelo calor antropogênico, o qual inclui todas as atividades humanas inerentes à sua vida na cidade.
BARBOSA, R. V. R. Áreas verdes e qualidade térmica em ambientes urbanos: estudo em microclimas em Maceió. São Paulo: EdUSP, 2005.

O texto exemplifica uma importante alteração socioambiental, comum aos centros urbanos. A maximização desse fenômeno ocorre
a) pela reconstrução dos leitos originais dos cursos d’água antes canalizados.
b) pela recomposição de áreas verdes nas áreas centrais dos centros urbanos.
c) pelo uso de materiais com alta capacidade de reflexão no topo dos edifícios.
d) pelo processo de impermeabilização do solo nas áreas centrais das cidades.
e) pela construção de vias expressas e gerenciamento de tráfego terrestre.

2. Além dos inúmeros eletrodomésticos e bens eletrônicos, o automóvel produzido pela indústria fordista promoveu, a partir dos anos 50, mudanças significativas no modo de vida dos consumidores e também na habitação e nas cidades. Com a massificação do consumo dos bens modernos, dos eletroeletrônicos e também do automóvel, mudaram radicalmente o modo de vida, os valores, a cultura e o conjunto do ambiente construído. Da ocupação do solo urbano até o interior da moradia, a transformação foi profunda.
MARICATO, E. Urbanismo na periferia do mundo globalizado: metrópoles brasileiras.

Uma das consequências das inovações tecnológicas das últimas décadas, que determinaram diferentes formas de uso e ocupação do espaço geográfico, é a instituição das chamadas cidades globais, que se caracterizam por:
a) possuírem o mesmo nível de influência no cenário mundial.
b) fortalecerem os laços de cidadania e solidariedade entre os membros das diversas comunidades.
c) constituírem um passo importante para a diminuição das desigualdades sociais causadas pela polarização social e pela segregação urbana. 
d) terem sido diretamente impactadas pelo processo de internacionalização da economia, desencadeado a partir do final dos anos 1970.
e) terem sua origem diretamente relacionadas ao processo de colonização ocidental do século XIX.

3. O trânsito nas grandes cidades se transformou em problema que exige criatividade e pesados investimentos. A multiplicação dos acidentes, congestionamentos quilométricos e a poluição urbana, por exemplo, preocupam a sociedade. A indústria, por sua vez, teve de investir tanto em segurança ativa, facilitando o controle do veículo pelo motorista, quanto passiva, a fim de diminuir as consequências dos sinistros. A preocupação ambiental engloba também o trânsito, mas uma solução efetiva nessa área não pode se restringir à escolha de combustíveis pouco poluentes. A escritora Raquel de Queiroz, fazendo uma reflexão bem-humorada, em artigo da revista ‘O Cruzeiro’, desafiava o leitor a imaginar como seriam as cidades da década de 1970 com carruagens puxadas por cavalos: “a poluição causada pelos excrementos dos animais literalmente sufocaria a todos”.
Disponível em: http://www.primeiramao.com.br. Acesso em: 20 set. 2008 (adaptado).

Com base no texto acima e na situação atual do trânsito, infere-se que
a) os acidentes eram mais frequentes na época das carruagens, devido à falta de segurança nos transportes.
b) as carruagens à tração animal em circulação têm alto impacto ambiental.
c) o número de veículos em circulação nas grandes cidades é parte importante do problema.
d) a segurança no trânsito se alcança com base numa escolha responsável da matriz energética.
e) a solução para os problemas ambientais da atualidade é o retorno a meios de transporte antigos.

4. No dia 1º de julho de 2012, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se a primeira do mundo a receber o título da Unesco de Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural. A candidatura, apresentada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi aprovada durante a 36.ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial. O presidente do Iphan explicou que “a paisagem carioca é a imagem mais explícita do que podemos chamar de civilização brasileira, com sua originalidade, desafios, contradições e possibilidades”. A partir de agora, os locais da cidade valorizados com o título da Unesco serão alvo de ações integradas visando à preservação da sua paisagem cultural.
Disponível em: www.cultura.gov.br. Acesso em: 7 mar. 2013 (adaptado).

O reconhecimento da paisagem em questão como patrimônio mundial deriva da:
a) presença do corpo artístico local. 
b) imagem internacional da metrópole. 
c) herança de prédios da ex-capital do país. 
d) diversidade de culturas presente na cidade. 
e) relação sociedade-natureza de caráter singular.

5. Trata-se de um gigantesco movimento de construção de cidades, necessário para o assentamento residencial dessa população, bem como de suas necessidades de trabalho, abastecimento, transportes, saúde, energia, água etc. Ainda que o rumo tomado pelo crescimento urbano não tenha respondido satisfatoriamente a todas essas necessidades, o território foi ocupado e foram construídas as condições para viver nesse espaço.
MARICATO. E. Brasil, cidades: alternativas para a crise urbana. Petrópolis Vozes. 2001.

A dinâmica de transformação das cidades tende a apresentar como consequência a expansão das áreas periféricas pelo(a) 
a) crescimento da população urbana e aumento da especulação imobiliária. 
b) direcionamento maior do fluxo de pessoas, devido à existência de um grande número de serviços. 
c) delimitação de áreas para uma ocupação organizada do espaço físico, melhorando a qualidade de vida. 
d) implantação de políticas públicas que promovem a moradia e o direito à cidade aos seus moradores. 
e) reurbanização de moradias nas áreas centrais, mantendo o trabalhador próximo ao seu emprego, diminuindo os deslocamentos para a periferia.

6. Embora haja dados comuns que dão unidade ao fenômeno da urbanização na África, na Ásia e na América Latina, os impactos são distintos em cada continente e mesmo dentro de cada país, ainda que as modernizações se deem com o mesmo conjunto de inovações.
ELIAS, D. Fim do século e urbanização no Brasil. Revista Ciência Geográfica, ano IV, n. 11, set./dez. 1988.

O texto aponta para a complexidade da urbanização nos diferentes contextos socioespaciais. Comparando a organização socioeconômica das regiões citadas, a unidade desse fenômeno é perceptível no aspecto:
a) espacial, em função do sistema integrado que envolve as cidades locais e globais.   
b) cultural, em função da semelhança histórica e da condição de modernização econômica e política.   
c) demográfico, em função da localização das maiores aglomerações urbanas e continuidade do fluxo campo-cidade.   
d) territorial, em função da estrutura de organização e planejamento das cidades que atravessam as fronteiras nacionais.   
e) econômico, em função da revolução agrícola que transformou o campo e a cidade e contribui para a fixação do homem ao lugar.  


7.

TEIXEIRA, W. et. al. (Orgs.) Decifrando a Terra.
São Paulo:Companhia Editora Nacional, 2009 (adaptado).

O esquema mostra depósitos em que aparecem fósseis de animais do Período Jurássico. As rochas em que se encontram esses fósseis são 
a) magmáticas, pois a ação de vulcões causou as maiores extinções desses animais já conhecidas ao longo da história terrestre.
b) sedimentares, pois os restos podem ter sido soterrados e litificados com o restante dos sedimentos.
c) magmáticas, pois são as rochas mais facilmente erodidas, possibilitando a formação de tocas que foram posteriormente lacradas.
d) sedimentares, já que cada uma das camadas encontradas na figura simboliza um evento de erosão dessa área representada.
e) metamórficas, pois os animais representados precisavam estar perto de locais quentes.

8. De repente, sente-se uma vibração que aumenta rapidamente; lustres balançam, objetos se movem sozinhos e somos invadidos pela estranha sensação de medo do imprevisto. Segundos parecem horas, poucos minutos são uma eternidade. Estamos sentindo os efeitos de um terremoto, um tipo de abalo sísmico.
ASSAD, L. Os (não tão) imperceptíveis movimentos da Terra. ComCiência: Revista Eletrônica de Jornalismo Científico, n. 117, abr. 2010. Disponível em: http://comciencia.br. Acesso em: 2 mar. 2012.

O fenômeno físico descrito no texto afeta intensamente as populações que ocupam espaços próximos às áreas de
a) alívio da tensão geológica.
b) desgaste da erosão superficial.
c) atuação do intemperismo químico.
d) formação de aquíferos profundos.
e) acúmulo de depósitos sedimentares.

9. As plataformas ou crátons correspondem aos terrenos mais antigos e arrasados por muitas fases de erosão. Apresentam uma grande complexidade litológica, prevalecendo as rochas metamórficas muito antigas (Pré-Cambriano Médio e Inferior). Também ocorrem rochas intrusivas antigas e resíduos de rochas sedimentares. São três as áreas de plataforma de crátons no Brasil: a das Guianas, a Sul-Amazônica e a do São Francisco.
ROSS, J. L. S. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1998. 

As regiões cratônicas das Guianas e a Sul-Amazônica têm como arcabouço geológico vastas extensões de escudos cristalinos, ricos em minérios, que atraíram a ação de empresas nacionais e estrangeiras do setor de mineração e destacam-se pela sua história geológica por:
a) apresentarem áreas de intrusões graníticas, ricas em jazidas minerais (ferro, manganês).
b) corresponderem ao principal evento geológico do Cenozoico no território brasileiro.
c) apresentarem áreas arrasadas pela erosão, que originaram a maior planície do país.
d) possuírem em sua extensão terrenos cristalinos ricos em reservas de petróleo e gás natural.
e) serem esculpidas pela ação do intemperismo físico, decorrente da variação de temperatura.

10.

Disponível em: www.telescopionaescola.pro.br. Acesso em: 3 abr. 2014 (adaptado).

A partir da análise da imagem, o aparecimento da Dorsal Mesoatlântica está associada ao(à)
a) separação da Pangeia a partir do período Permiano.
b) deslocamento de fraturas no período Triássico.
c) afastamento da Europa no período Jurássico.
d) formação do Atlântico Sul no período Cretáceo.
e) constituição de orogêneses no período Quaternário.



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Unicamp: pré-vestibular Colmeia recebe inscrições.


Estão abertas as inscrições para o cursinho pré-vestibular Colmeia, oferecido pela FCA (Unicamp) aos alunos do ensino médio de Limeira que desejem se preparar para os vestibulares de 2016. Os interessados devem procurar a Secretaria de Educação da Prefeitura de Limeira, localizada na Rua João Kuhl Filho s/nº, no Parque Cidade, telefones (19) 3404.1843 e (19) 3404.1846.
São 200 vagas disponíveis, que estão divididas em quatro turmas: uma à tarde com 50 alunos e 3 turmas à noite, cada uma também com 50 alunos. Conforme informam a Professora Josely Rímoli e o Professor Marcelo Maialle, coordenadores do cursinho e docentes da FCA, haverá um vestibulinho classificatório e os interessados podem obter mais informações sobre as datas das provas na própria Secretaria de Educação, quando forem realizar as inscrições.
Todos os professores do cursinho são alunos dos cursos de graduação e pós-graduação da Faculdade, recebem treinamento didático e são sistematicamente supervisionados pelos Professores Doutores da FCA.
Informações:
Secretaria da Educação de Limeira
Rua João Kühl Filho, s/n, Vila São João – Limeira/SP
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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Mesmo com maior participação, negros ainda são 17,4% no grupo dos mais ricos


A população que se identifica como preta ou parda cresceu entre a parcela 1% mais rica da população brasileira. Mesmo assim, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Síntese de Indicadores Sociais, eles representam apenas 17,4% do total da parcela mais rica do país. Mais de 79% são de pessoas brancas. Em 2004, havia 12,4% de negros e 85,7% de brancos nesse grupo, que é formado por pessoas que moram em domicílios cuja renda média é de R$ 11,6 mil por habitante.

Por outro lado, a população que forma o grupo 10% mais pobre, com renda média de R$ 130 por pessoa na família, continua majoritariamente negra. O percentual aumentou nos últimos 10 anos. Em 2004, 73,2% dos mais pobres eram negros, patamar que aumentou para 76% em 2014. Esse número indica que três em cada quatro pessoas é negra entre os 10% mais pobres do país.

Segundo o IBGE, os negros (pretos e pardos) eram a maioria da população brasileira em 2014, representando 53,6% da população, enquanto as que se declaravam brancas eram 45,5%. Em 2004, o cenário era diferente, pouco mais da metade se declarava branca (51,2%), enquanto a proporção de pretos ou pardos era 48,2. Os brancos eram 26,5% dos mais pobres em 2004 e sua participação nessa fatia da população caiu para 22,8% em 2014.

Se considerada a população total de negros no Brasil, 38,5% deles estavam entre os 30% mais pobres da população em 2014, valor inferior aos 41,6% registrados em 2004. Houve um aumento da proporção de brancos que se encaixam nessa faixa de renda: de 19,1% em 2004 para 19,8%. Já os negros que estão entre os 30% mais ricos são 20,1% do total da população desta cor no Brasil. Para os brancos, esse percentual é de 41,9% e praticamente não se alterou em relação a 2004, quando era de 41,9%. Em 2004, 17,2% dos negros estavam entre os 30% mais ricos dos brasileiros.

Desigualdade de renda

Para avaliar a desigualdade de renda, o IBGE calculou o Índice de Palma no Brasil, indicador que avalia quanto a mais os 10% mais ricos se apropriam do total dos rendimentos em relação aos 40% mais pobres. Segundo a pesquisa, o rendimento dos 10% mais ricos concentrava um valor 4,3 vezes maior que os 40% mais pobres do país em 2004, valor que caiu para 3,1 vezes em 2014.

Os números do IBGE mostram que, em 2014, os 40% mais pobres do Brasil recebiam 13,3% do total da massa de renda do país, percentual se manteve praticamente estável entre 2011 e 2014, depois de ter crescido de 2004 (10,6%) a 2011 (13,1%). A população que fica na faixa intermediária, entre os 40% mais pobres e os 10% mais ricos, elevou sua participação de 43,9% do total da renda para 45,6%. Já os 10% mais ricos detinham 45,5% do total dos rendimentos em 2004 e perderam participação, chegando a 41% em 2014.

FONTE: 
http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-12/negros-aumentam-participacao-entre-os-1-mais-ricos-no-brasil -  
acesso: 04/12/2015  - 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

HSBC e as marcas da sua história

Um dos pilares do capitalismo contemporâneo em sua fase informacional-monopolista é o Narcotráfico. Não há uma contabilidade exata, mas estima-se que mundialmente o narcotráfico movimenta mais de US$ 1 trilhão. É um grande negócio que envolve personagens distintos em escalas geográficas diferenciadas. Há denuncias e casos comprovados do envolvimento de pessoas que representam o poder executivo e legislativo de um país; envolvimento de grandes empresários de corporações transnacionais; e até mesmo instituições financeiras planetárias, como os bancos. 
O tema da legalização das drogas está sendo discutido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil. Sendo assim, saber que uma das maiores transnacionais do mundo tem suas ligações estreitas com o narcotráfico é ponto importante para uma boa argumentação. Engana-se quem discute a questão da legalização das drogas de forma reducionista, mirando o usuário ou o viciado e criminalizando-o pela circulação, porte e armazenamento de drogas.


Em uma reportagem da revista Carta Capital, o jornalista Vladimir Safatle pergunta: Quem nos governa?, e deixa que a senadora norte-americana, em 2013 Elisabeth Warren responda com outra pergunta: quanto tempo seria ainda necessário para fechar um banco como o HSBC?

Abaixo um resumo da matéria publicada na revista Carta Capital:
Em 1860 o Império Britânico acabara de vencer a famosa “Guerra do Ópio” contra a China, talvez uma das páginas mais cínicas e criminosas da história cínica e criminosa do colonialismo. Guerra terminada, os ingleses tiveram a ideia de abrir um banco para financiar o comércio baseado no tráfico de drogas. Dessa forma apoteótica, nasceu o HKSC, tempos depois transformado em HSBC (Hong Kong and Shangai Bank Corporation). Sua história é o exemplo mais bem acabado de como o desenvolvimento do capitalismo financeiro e a cumplicidade com a alta criminalidade andam de mãos dadas.

O HSBC em Genebra lavou dinheiro de ditadores, traficantes de armas e drogas, auxiliou todo tipo de gente a operar fraudes fiscais milionárias e a abrir empresas offshore

Em julho de 2013, a senadora norte-americana Elisabeth Warren fez um discurso no qual perguntava: quanto tempo seria ainda necessário para fechar um banco como o HSBC?

Traficantes de armas e drogas não teriam tanto poder se não existissem bancos que, placidamente, oferecem seus serviços de lavagem de dinheiro com discrição e eficiência.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015


Recuperar a Floresta é a única solução!!!
Júlio Ottoboni é jornalista diplomado e pós-graduado em jornalismo científico.
http://envolverde.com.br/ambiente/sudeste-rumo-desertificacao/"


Preservar a floresta é proteger o futuro das próximas gerações não só dos parentes indígenas...
O sudeste, até agora só se manteve em equilibrio da desertificação, foi porque a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica, detém diversas semelhanças em seus ciclos sazonais e em espécimes de fauna e flora que em conjunto são responsáveis pela produção do vapor d’água em nuvens que viajam por todo o território Brasileiro e da América do Sul mantendo os solos férteis e índices pluviométricos mais que satisfatórios à manutenção da vida... Mais conhecidos como Rios Voadores. É simples assim... A chuva em várias regiões do país depende da preservação de nossas Florestas... Nossas vidas... Proteger as florestas significa também salvar milhões de pessoas...
E por favor humanos, parem com essa destruição insana da Mãe Gaia... parem com o desmatamento... 
Será que ainda não entenderam?!!!
Sim... Nós estamos destruindo o planeta...

"O sudeste do Brasil, parte da região central e do sul caminham para se tornar desérticas. A seca registrada este ano na porção centro-sul, principalmente em São Paulo, está ligada a permanente e acelerada degradação da floresta amazônica. O transporte de umidade para as partes mais ao sul do continente está sendo comprometida, pois além de sua diminuição é trazido partículas geradas nos processos de queimadas que impedem a formação de chuvas.

Os cientistas do (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa) há mais de uma década fizeram esse alerta, que a cada ano está pior e mais grave. E coloca em confronto o modelo econômico agropecuário, baseado em commodities, com a área mais industrializada, produtiva e rica do país. E também a mais urbanizada e detentora de 45% da população brasileira e abrigada em apenas 10,5% do território nacional.

O cientista e doutor em meteorologia do Inpe, Gilvam Sampaio de Oliveira, a situação é preocupante e bem mais grave do imaginado em relação a eventos extremos. A comunidade científica está surpresa com a dinâmica das alterações do clima. O número de desastres naturais vem crescendo. Entre 1940 e 2009 houve uma curva ascendente de inundações e o número de dias frios, principalmente em São Paulo, está em franca decadência.

“As questões que já estamos passando, como essa seca, eram projetadas para daqui há 15 ou 20 anos. A área de altas temperaturas está aumentando em toda América do Sul. Em São Paulo e São José dos Campos, por exemplo, há um aumento de chuvas com mais de 100 milímetros concentradas e períodos maiores sem precipitação alguma. E quanto mais seca a região, aumenta o efeito estufa e diminui a possibilidade de chuvas”, alertou o cientista.

O sistema principal formador do ciclo natural que abastece a pluviometria do sudeste começa com a massa de ar quente repleta de umidade, formada na bacia do Amazonas, seguindo até os Andes. Com a barreira natural, ela retorna para a porção sul continental, o que decreta o regime de chuvas.

A revista científica Nature publicou em 2012 um estudo inglês da Universidade de Leeds. O artigo apresentou o resultado de um estudo no qual os mais de 600 mil quilômetros quadrados de floresta amazônica perdidos desde a década de 1970, e com o avanço do desmatamento seguido de queimadas cerca de 40% de todo complexo natural, estará extinto até 2050. Isso comprometerá o regime de chuvas, que seriam reduzidas em mais de 20% nos períodos de seca.

Faixa dos desertos

O sudeste brasileiro está na faixa dos desertos existente no hemisfério sul do planeta. Ela atravessa enormes áreas continentais, como os desertos australianos de Great Sendy, Gibson e Great Victoria, na plataforma africana surgem as áreas desertificadas da Namíbia e do Kalahari e na América do Sul, o do Atacama. Sem qualquer coincidência, ambos desertos africanos, inclusive em expansão, estão alinhados frontalmente, dentro das margens latitudinais, com as regiões dos Estados do Sudeste e do Sul do país.

Essa porção territorial só se viu livre da desertificação com o êxito da Amazônia e a formação da Mata Atlântica. Ambas foram determinantes para se criar um regime de chuvas que mantiveram essas partes do Brasil e da América do Sul com solos férteis e índices pluviométricos mais que satisfatórios à manutenção da vida.

O geólogo do Inpe e assessor da Agência Espacial Brasileira (AEB), Paulo Roberto Martini, tem sua teoria para esse fenômeno. Na qual a desertificação destas regiões ocorrerá se o transporte de ar úmido for bloqueado ou escasseado, por ação natural ou antrópica. Exatamente o que vem acontecendo. As investigações geomorfológicas já mostraram que entre os anos 1000 e 1300 houveram secas generalizadas e populações inteiras desaparecerem nas Américas. E isto pode ocorrer novamente, agora potencializado pela devastação causada pelo homem.

“Esse solo da região Sul e Sudeste tem potencial enorme para se tornar deserto, basta não chover regularmente. A distribuição da umidade evitou que essa região da América do Sul fosse transformada num imenso deserto”, explicou Martini.

Segundo o pesquisador, no fim do período glacial, por volta de 12 mil anos, a cobertura do Brasil teria sido predominantemente de savana, como na África, pobre em diversidade e formada por gramíneas e poucas espécies arbóreas. O que ainda é encontrado no interior de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e no Mato Grosso. Entretanto, a umidade oceânica associada à amazônica possibilitou a constituição da Mata Atlântica e seu ingresso continente adentro.

A penetração da flora em áreas de campo realimentou o ciclo das chuvas, nível de umidade das áreas ocupadas e a fertilização do solo. Em milhares de anos formou-se um vasto complexo florestal, atualmente reduzido a menos de 5% de seu tamanho original na época do descobrimento.

“Há uma cultura de degradação e falar em restauração das matas no Brasil é ficção. Só se produz água quando se faz floresta, a sociedade tem que reagir a isso”, observou o dirigente da entidade SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani.

As pesquisas mostram que o povoamento vegetal no que é hoje o território brasileiro teria começado pela costa do Oceano Atlântico, seguindo para o interior ao longo das várzeas dos rios, onde se encontram os solos mais ricos em nutrientes. Foram milhares de anos neste ritmo, o que induziu diversos especialistas a defenderem a tese de que a Mata Atlântica esteve intimamente ligada a Floresta Amazônica, pois ambas detém diversas semelhanças em seus ciclos sazonais e em espécimes de fauna e flora.

Mas com a derrubada desta proteção vegetal e o encurtamento do ciclo de chuvas oriundas do mega sistema amazônico, as mudanças climáticas ganharam impulso e têm causado alterações no desenvolvimento de diferentes culturas agrícolas, entre elas milho, trigo e café com impactos imensos na produção brasileira e norte-americana. A avaliação partiu dos integrantes do Workshop on Impacts of Global Climate Change on Agriculture and Livestock , realizado em maio na Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto (SP).